O Surf e o Empreendedorismo

O surfista iniciante logo percebe que terá uma série de desafios a enfrentar. Uma experiência de vida realmente transformadora. Do macro ao micro, ele realiza a análise de tudo que o cerca baseado nos seus conhecimentos e experiência de vida, sobre todos fatores que envolvem o surf: -”Quantos mais informado, melhor”. Investimentos de curto, médio e longo prazo (parafina, pranchas, equipamentos, roupas, viagens, filmes, revistas, etc.); fatores de risco; análise de performance medida pela satisfação e felicidade de viver momentos de extrema conexão com a natureza.
 
Alguns decidem pela inviabilidade do projeto e desistem de surfar. Outros, surfistas, utilizam metáforas que aprenderam com o surf para empreender na vida. Fato é que surfistas são empreendedores que têm como lucro líquido as ondas surfadas.
 
Se tem uma primeira lição, aquela acima de todas ou, simplesmente, a primeira metáfora é: Caiu? Levanta e #ContinueRemando. Afinal “é caindo que se aprende a levantar”. É possível que muitos escutem isso desde a época em que engatinhava. De qualquer forma não consigo imaginar nenhum outro esporte que traduza isso de uma maneira tão simples. “Uma onda após a outra.” Não é somente o “cair”, mas tem também o “estar submerso” a merce da onda. Não basta cair, é preciso aprender a cair e, mais que isso, é preciso aprender a manter a calma durante a tormenta, até a onda nos permitir voltar à superfície. Se perdermos o controle físico e emocional durante a queda, perderemos ar e energia essencial para sobrevivência nestas situações. Para empreender é preciso saber lidar com o fracasso da mesma maneira. Para surfar ondas cada vez maiores e impor desafios a si mesmo é preciso estar preparado para saber lidar com a possível queda. Sendo ainda mais radical nesta metáfora, diria que toda onda surfada, tem seu início, meio e fim, desde o drop até a queda, portanto numa mesma onda existe a oportunidade de aprender a lidar com o sucesso e o fracasso, a oportunidade de tentar coisas sabendo que a queda é iminente e que tudo que poderá fazer depois disso é levantar e continuar remando.
 
Uma segunda lição, não menos importante que a primeira é o quanto a disciplina e comprometimento exigido pelo surf serve à vida: acordar cedo, manter hábitos saudáveis, com atitudes positivas, foco, confiança em si mesmo… Sua jornada em busca da evolução espiritual. Muitos não entendem essa relação religiosa do surfista com o surf. Todo empreendedor leva dentro de si uma ideia que diz que basta seguir trabalhando, ou podemos dizer, remando; uma hora aquela onda perfeita vai surgir e tudo que precisará fazer é dropar, cavar e ir, confiar e trabalhar tudo que sabe nela, com seu máximo, foco e concentração, confiando no caminho que escolheu, aprimorando o próprio conhecimento – o merecimento é um grande aliado. O surfista enquanto parte da natureza, sujeito a todos os tipos de vida marinha, testemunhando vento, chuva, sol, lua, toda majestade e também perigos que a natureza tem a oferecer, se vê humilde, pequeno perante toda magnificência da mãe natureza. Nessa jornada espiritual terá de enfrentar toda espécie de teste, confrontando sua fé e compromisso. No final verá que não há nada mais gratificante, que vale a pena todo esforço.
 
Depois de compreender as duas primeiras lições o surfista passará a perceber algumas situações nas quais a força da mente age sobre a matéria: A lei da atração, ação e reação. Nossas atitudes moldam nossa realidade. Nossos pensamentos moldam nossas atitudes. Nossas atitudes são ações e geram as mais adversas reações. Se você acha que não pode não irá conseguir, mas se acredita que pode, com persistência e perseverança, você conquista, faz ser possível. O surfista ao entrar no mar tem um objetivo que é surfar, sabendo que para isso terá primeiro que atravessar a arrebentação. Se achar que não consegue já nem entra na água. Se remar numa onda terá de ir até o fim, pois se achar que não pode e tentar puxar o bico, será ainda pior. A quem diga que a mente tem o poder de atrair situações ou, pelo menos, conspirar a favor delas. Uma vez dentro do tubo, basta um deslize e tudo estará perdido. Uma vez fora dele é preciso acreditar que é possível. Entretanto, só acreditar, não garante que irá conseguir, mas demonstra que precisa revisar as duas primeiras lições para que esta faça efeito.
 
Não é fácil, nem é pra ser realmente, mas muitos ficam revisando estas 3 primeiras lições como se ficassem presos a um ciclo – o surf ensina um caminho de uma maneira muito simples. As 3 primeiras lições são os pilares, guias de uma rota para o empreendedorismo. A 4ª lição, se é que podemos dizer assim, que o surf nos proporciona à vida, este caminho que deve ser exercitado a todo instante é: “Esteja presente consigo mesmo. Viva o agora”. Quando o surfista está na onda não há nada que ele possa fazer senão se concentrar no que está fazendo. O mundo a sua volta não existe mais. É o surfista, a prancha e a onda. São alguns segundos para o pensamento se concentrar no momento presente. Ao se concentrar e se adaptar a usufruir o máximo do momento o empreendedor se vê mais envolvido em todo o processo em busca do “fazer acontecer”. É assim, não há outra forma. Quando se exercita a viver o momento, “Carpe Diem” (ao contrário do que a maioria pensa, Carpe Diem tem um significado muito mais ligado a evolução espiritual do que ao liberalismo de falsas anarquias), se entende a necessidade de conhecer melhor a si mesmo. Entender como funcionam os próprios medos, desejos, ambições, nossa maneira de enxergar a vida. O Empreendedor, ao se ver perdido, pode fazer como o surfista, que entende a importância de saber ler a onda e aproveitar o melhor que ela proporciona, que sabe que durante o caldo é preciso manter a calma, aproveitar o momento e pensar no que ocasionou a queda. O engraçado disso tudo é que as respostas estão sempre voltadas as 3 primeiras lições…
 
O Surf e toda natureza tem uma maneira bem sutil de lidar com nosso ego e orgulho, quando não respeitamos e entendemos essas lições. Simplesmente o ego não é amigo. Alguns irão dizer que o ego é necessário em alguns casos, que como empreendedor você deve manter o ego elevado e o surfista sabe que perante todo universo ele não passa de um simples grão de areia. Auto-confiança sim é a palavra. Não que para isso o empreendedor deva ser melhor ou pior que alguém. Quando o surfista se envolve com o ego ele perde a sintonia com a onda, não surfa para si mesmo, não consegue se conectar com a harmonia da natureza, negativando a energia de sua própria essência. “O melhor surfista é o que mais se diverte”. O ego sempre atrai muitas brigas, confusões, desentendimentos. No final, só o que marca mesmo é o bem praticado, as coisas boas realizadas, a onda boa surfada.
 
A libertação do Ego atrai uma das coisas bonitas sobre o surf que é o espírito de amizade existente entre a maioria dos surfistas. É preciso saber viver em sociedade. Se você quer empreender e ser um líder deve saber como lidar consigo mesmo indo até os mistérios da natureza humana, prevendo uma série de situações para manter a harmonia e sintonia dos negócios. Um “outside” carregado de discussões às vezes até afastam as ondas tornando tudo mais difícil. Todo esse ambiente que o surf cria em torno de si, essa energia positiva que atrai pessoas de bem, que te acompanham durante a remada, que vibram por uma onda boa, que perguntam sobre as ondas nos estacionamentos, dividindo parafinas, raspadores e chaves de quilhas… É difícil explicar em palavras, mas fácil de serem sentidas e absorvidas. O Empreendedorismos é um caminho cansativo, muitas vezes solitário, unir o surf a ele é uma ótima combinação motivacional.
 
Por fim, paciência. Não adianta querer adiantar o swell, querer que a série entre antes do que deve. As ondas virão quando elas tiverem de vir e não há muito o que fazer, a não ser que tenha sua própria piscina de ondas. Poucas coisas na vida podem ser comparadas a ficar um tempo sentado na prancha, esperando a onda certa, contemplando toda magnitude da natureza. Sentir o vento, o balanço do mar, o contato com a água. Havendo destino ou não, desespero, lamentações, angústias, nervosismos, estresses; só servem para desviar seu foco e te fazer perder as ondas. Retome as lições, olhe para si mesmo e repita o processo.
 
#ContinueRemando e boas ondas virão.
 
Mahalo.